domingo, 15 de julho de 2012

#Caravela Redona ou da Armada


“Caravela redonda” também chamada de “caravela da armada".
Nada melhor que este trecho do artigo escrito para a “Enciclopédia Luso-Brasileira” de autoria do Sr. Jaime M. Barata para contar-lhes um pouco da história desta embarcação portuguesa do século XVI.
“ Descobertas as costas que era possível descobrir, começaram as grandes viagens de comércio e de ocupação, feitas já por armadas de naus, depois por armadas de naus e de galeões, navios redondos no velame, bojudos, lentos, mais os primeiros do que os segundos, e cuja arqueação foi crescendo durante os sécs. XVI e XVIII. Essas armadas não podiam seguir os caminhos, mais directos, das ligeiras CARAVELAS latinas, e tomavam rotas muito mais largas. Para recados entre esses barcos pesados e a terra, para anúncios e notícias, com eles iam algumas das lépidas pequenas CARAVELA latinas, chamadas, em virtude das suas funções, "mexeriqueiras". Também as CARAVELAS latinas podiam fazer largas viagens, e algumas vieram, isoladas, da Índia para Portugal ou daqui para lá foram. Mas eram barcos pequenos demais para se oporem a qualquer ataque e foram sendo pouco a pouco artilhados e crescendo em tamanho. E para acompanhar as grandes naus, que procuravam ventos de feição, também tomaram algum pano redondo, o qual, para ventos de popa, é de maior rendimento e mais cômodo do que a vela latina. Assim apareceu a «CARAVELA redonda», também chamada "CARAVELA de armada". É um barco de quatro mastros, dos quais o de proa armava traquete e velacho (velas redondas) e os outros três armavam latinos bastardos, como os da CARAVELA latina de três mastros. Destes três, o de vante continuava a meia-nau. O seu casco era mais fino do que o das naus e tinha mais funda quilha, para a bolina. Tinha, além do castelo de popa, castelo de proa, agora, possível, porque o carro da vela latina não indo à proa, não exigia que fosse rasa a proa. Era pois a CARAVELA redonda um misto da CARAVELA e da nau e procurava com isso obter as vantagens de cada um dos tipos: a agilidade e a facilidade de barlaventear do primeiro e o poder, segurança e bom andar de vento em popa do segundo. Durou este tino muito tempo, até se extinguir o nome de CARAVELA, e dela existem planos, do começo do séc. XVII. Se assim aconteceu, é porque serviu, resistindo às criticas. Não devemos esquecer, todavia, o que sobre esta CARAVELA redonda escreveu nos meados do séc. XVI o culto P.e Fernando de Oliveira, soldado, marinheiro prático e ousado aventureiro: "A mim me pareceu sempre que caravelas de armada não eram tão boas como são gabadas, por serem um gênero de navios misturado e neutro, e as partes que tomam de cada um dos outros gêneros serem as piores, como mulato.”( fica evidente o racismo em voga naquele tempo).

Uma vez esclarecido como e porque elas surgiram, fui procurar por gravuras, desenhos e iconografias a respeito. As mais notórias são as do “Livro de Armas” de D. Duarte e também as do livro “Lendas das Índias” de Gaspar Corrêa , ambos de meados do sec. XVI.


Contudo alguns estudiosos criticam estas gravuras alegando que são desproporcionais e incoerentes. Mas serão mesmo?
Aprofundando ainda mais a pesquisa para obter medidas precisas fui beber nas fontes do livro ”Traças de Carpintaria” de 1616 (Manuel Fernandes). Lá eu encontrei a denominada Galizaura, cuja silhueta é bem similar a das gravuras de D. Duarte, diferindo apenas em alguns pormenores como um semi-costado observado nos castelos de proa de algumas das gravuras, mas legitimando a fidelidade desses desenhos.
O mais importante é que no livro encontrei os desenhos precisos da coberta e da caverna mestra que me possibilitaram determinar as dimensões a serem seguidas.


Livro de Armas

Livro de Traças e Carpintaria

Livro de Traças e Carpintaria





                             Projeto que idealizei baseado nos estudos, utilizando o software Delftships para a elaboração tridimensional do casco.







                                                  Construção do modelo  



                                                                           

                                        


 

                                   


















































                                              






2 comentários:

  1. Primeiro de tudo eu devo parabenizá-lo por seus modelos maravilhosos e do rigor com que as executa.
    Estou interessado na construção de um tipo de navio espanhol do século XVI, em que existem várias denominações : galizabra, galizaura, asabra, azabra, azavra, …
    Tenho visto n fórum de ptnauticmodel e neste blog que fez uma caravela redonda com base no casco da galizabra do “Livro Traças de Carpintaria” e me pergunto se seria possível que iria fornecer-me o plano de linhas de isso porque eu acho que seria muito útil para meu projeto
    Muito grato pela sua atenção e desculpe pelo meu português.

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